quem somos
A pesquisa “Os corpos da obra: o que a dança nos mostra sobre a arte no museu” é uma prática que investiga a relação entre corpo, performance e acervo museológico formada pelas pessoas artistas-pesquisadoras Aila Silva, Carol Gracindo, Estela Lapponi, Luanna Jimenez e Thamú Pèrégùn com obras de performance do acervo de performance do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP).
Por meio de oficinas de dança que aproximam artistas e obras, a pesquisa investiga a performance a partir do movimento, utilizando dispositivos inspirados nas performances presentes no acervo. As oficinas são realizadas em diferentes formatos, incluindo encontros abertos e gratuitos ao público, e buscam compreender como o espaço público de arte afeta, mobiliza e transforma a experiência das pessoas participantes. A partir dessas experiências, a gente aborda várias questões importantes para uma apropriação da cultural, como a relevância de um acervo de performance, quais as diferentes relações do público com o museu, como ele o acessa e percebe sua própria história neste local, como a performance pode delimitar e provocar sensações entre artistas e fomentar práticas cotidianas, como essas relações são radicais ou embrutecidas.
A ativação do acervo por meio do corpo não é entendida como ação pontual, mas como eixo central da pesquisa. A proposta parte do princípio de que o conhecimento emerge da experiência incorporada e que a escrita não é apenas registro, mas desdobramento crítico do que é vivido. Por isso, a pesquisa se desdobra em uma publicação que sistematiza esses processos, transformando as experiências coletivas em material acessível e replicável, capaz de orientar práticas semelhantes em outros museus, escolas, coletivos e espaços culturais.
Ao deslocar o corpo para o centro da experiência museal, trazendo um ponto de vista mais íntimo de relação com as performances, a pesquisa cria outras possibilidades de relação com elas e com o próprio espaço do museu. É nesse movimento que se formam públicos mais críticos, que narrativas hegemônicas podem ser tensionadas e que se experimentam ambientes artísticos mais abertos, participativos e democráticos.

Aila Silva
Artista da dança, curadora independente, diretora criativa e pesquisadora. Com foco em Performance na América Latina, é interessada em poéticas do movimento, sotaques de corpo e memórias a fim de discutir (in)justiça social, gênero e construção cultural. Doutora em Estética e História da Arte pela Universidade de São Paulo (2025), foi pesquisadora visitante na New York University (EUA, 2023-24) e colabora com o Hemispheric Institute of Performance and Politics (EUA).

Carol Grancindo
Artivista, negra, não-binárie, com trabalhos em múltiplas linguagens criativas. Fruto de pais professores da rede pública da Zona Leste de São Paulo, desde jovem movimenta-se com música, luz e pigmentos nas Artes da Cena.
Cofundadore da Cia do Despejo, grupo de teatro gestual formado em 2016, majoritariamente por mulheres negras. Mestre em Artes (USP, 2023), com especialização em Direção e pesquisa vocalcorporal com mestres da cultura brasileira. Corpo-bicho atravessado pelas danças urbanas afro-diaspóricas, em desdobramentos das sexualidades, trans- identidades e biocentrismo.

Estela Lapponi
Performer, videoartista e terrorista poética paulistana. Máster em Práticas Cênicas e Cultura Visual (Universidad de Alcalá de Madri, 2011) e especialização em Estudos Contemporâneos de Dança (UFBA, 2012).
Interessa-se em investigar artisticamente: o discurso cênico do corpo DEF, a prática performativa e relacional (público) e o trânsito entre as linguagens visuais e cênicas; tendo o conceito Corpo Intruso como base de suas práticas investigativas. Em 2023, lançou o livro “Corpo Intruso – uma investigação cênica, visual e conceitual”, por meio do Prêmio pelo Histórico em Artes Visuais PROAC.

Luanna Jimenes
Na adolescência, viveu um período no campo o que determinou seu interesse pelas relações entre corpo e território, modos de vida e intervenção na paisagem.
Desenvolve sua pesquisa entre as artes visuais e as artes da presença, com foco na criação de performances e seus desdobramentos em publicações, imagens, áudios e escritos. Os processos de criação envolvem ações educativas e pesquisas de campo em contato com realidades específicas. As performances estão no cruzamento entre visualidade, performatividade e práticas corporais com abordagens contemporâneas.

Thamú Pèrégùn
Multiartista. Performer, tatuador, ilustrador e poeta. Idealizador da Casa Thamusa, de residência artística e espaço cultural.
Boyceta encruzilhando desenho, dança e palavras para ressignificar as linhas da sua história. Sua escrita toma a forma de poesia, a partir de uma perspectiva afrodiaspórica, originária e trans, para refletir sobre a existência artística em diferentes territórios e interpolando e extrapolando culturas.